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Com seu Guia Afetivo da Periferia, Marcus Vinicius Faustini lança projeto de memória coletiva da cidade

Por Laila Melchior

No currículo o cargo de secretário de cultura do município de Nova Iguaçu, a direção de documentários, montagens de peças e textos de teatro. Marcus Vinicius Faustini lança agora seu primeiro livro, o “Guia Afetivo da Periferia”. O guia faz parte da coleção Tramas Urbanas em parceria com O Instituto.

Em entrevista ao blog, Marcus conta um pouco sobre a nova obra:

LM: O livro não olha para a periferia munido do discurso da carência. Pelo contrário, propõe uma relação, como o título já informa, afetiva. Você considera esse olhar uma novidade?

MVF: Talvez, para quem olha de fora para dentro seja uma novidade reconhecer a expressão da experiência das vivências nos territórios populares como afetiva e estética. Entretanto, isso já acontece em outras linguagens como o samba, o funk, etc. A novidade é isso dentro da produção literária. O acesso a produção e a fruição com a literatura são decisivos para a radicalização da democracia no país. Só podemos reconhecer a experiência do outro através da expressão de suas subjetividades. Difundida, a literatura será uma linguagem que contribuirá muito na percepção do outro.

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Postado em Uncategorized, em 28/12/2009 | Nenhum comentário, adicione o seu |

Diversidade em festa

Por Laila Melchior

Aconteceu no Rio de Janeiro a 8ª edição do Tangolomango – Festival da Diversidade Cultural. Em novembro grupos artísticos de todo o país encontraram-se para participar do já tradicional espetáculo colaborativo. O grupo argentino Circo Social del Sur e o venezuelano Tambores de Barlovento Elleguá também participaram da festa.

O festival, que acontece desde 2002 e já teve como sede, além do Rio de Janeiro, as cidades de Fortaleza, Salvador e Recife, tem como objetivo articular, reunir e difundir projetos de diferentes regiões do Brasil e América Latina. Assim, ele visa a troca de experiências, a integração de ações na produção colaborativa e a formação de redes, sempre através da ideia de um “escambo”, da troca artística.

Rosilene Miliotti / Imagens do Povo

Rosilene Miliotti / Imagens do Povo

“O primeiro significado desse nome é o que a própria palavra produz quando você a articula: ‘Tango-lomango’ lembrando um ritmo, um molejo, um requebrar”, explica Sidney Cruz, diretor artístico do Tangolomango. É ele o mediador do encontro, o dosador dessa mistura pouco convencional. Mariana Rufolo, do Circo Social del Sur, explica melhor o processo de criação baseado na apropriação das diferenças: “Você tem que ser forte para manter a identidade cultural que cada grupo traz, para pôr nesse caldeirão da arte, e, ao mesmo tempo, ser flexível para poder adaptar-se ao que o outro te propõe e ir trocando para compor algo novo”.

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Postado em Uncategorized, em 16/12/2009 | Nenhum comentário, adicione o seu |

Por dentro das Imagens do Povo

Foto de AF Rodrigues. Todos os direitos reservados. © Copyright Imagens do Povo

Por Bruno Dorigatti

O fotógrafo João Roberto Ripper trabalhou em alguns dos mais conhecidos jornais do país, alguns já desaparecidos, como o Diário de Notícias, a Luta Democrática e o Última Hora, outros ainda em circulação como O Estado de S. Paulo e O Globo. Depois da passagem pela Agência F4, resolveu criar o “Imagens da Terra”, que fazia registros documentais das questões sociais do país, sobretudo a questão da terra. “Era um projeto de colocar a fotografia a serviço dos direitos humanos. Esse projeto existiu por oito anos, depois a gente faliu”, conta ele em entrevista ao Fazendo Media.

Foto de AF Rodrigues. Todos os direitos reservados. © Copyright Imagens do Povo

Porém, não tardaria para o fotógrafo retomar o projeto, agora dentro de um complexo de favelas cariocas. Quando esteve na Favela da Maré, que integra o Complexo da Mare, onde vivem cerca de 130 mil pessoas, distribuídas por 16 comunidades populares na zona norte do Rio de Janeiro, teve a idéia de ensinar a arte da fotografia para os moradores e assim surgiu o projeto Imagens do Povo, constituído pela Escola de Fotógrafos Populares e pela Agência de Fotografia e do Banco Fotográfico Imagens do Povo. Formado majoritariamente por moradores de comunidades, da baixada, do subúrbio e de universitários, o projeto vem ampliando a possibilidade para que os fotógrafos oriundos do projeto possam atuar profissionalmente, além de abrir portas para o mercado de trabalho com o fotojornalismo e atender a clientes externos, seja na venda de fotos avulsas, ou na encomenda de serviços fotográficos. A temática é basicamente “de espaços e temáticas populares e também de assuntos relacionados aos direitos humanos”, como informa o site do Observatório das Favelas, responsável pelo projeto. Mas não só. O objetivo primordial do projeto é desenvolver uma concepção fotográfica crítica, tanto na formação, como na produção e difusão de imagens.

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Postado em Cultura Além do Digital, em 28/09/2009 | Nenhum comentário, adicione o seu |

O funk liberado

“O funk não é mais caso de polícia, mas de cultura”.

A frase acima é do deputado estadual Marcelo Freixo, dita no dia 1. de setembro, quando todos os deputados do Estado do Rio de Janeiro votaram a favor da revogação da lei 5.265, que praticamente proibia a realização dos bailes na cidade e a lei que define o funk como movimento da cultura popular. Os textos seguem agora para a sanção do governador Sérgio Cabral, que tem 15 dias para dar seu parecer.

“Vieram me perguntar por que a Secretaria de Segurança não está presente nessa audiência. Nós já viramos essa página. Tivemos uma conversa na semana passada com o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio, e também com alguns funkeiros da APAFunk. Ele nos fez a promessa de uma nova conduta policial em relação ao funk”, disse Freixo.

Finalmente, o funk começa a receber o tratamento que merece, como manifestação da cultura popular uma das mais importantes do Estado do Rio.

Leia mais sobre o dia histórico para o funk carioca no site do Viva Favela e no Observatório das Favelas.

Postado em Uncategorized, em 8/09/2009 | Nenhum comentário, adicione o seu |

O funk proibido

Depois de duas tentativas em vão, a Roda de Funk no Morro Santa Marta enfim pôde ser realizada na última segunda, 27 de julho. Os bailes funk seguem proibidos no Rio de Janeiro, e a roda, realizada durante o dia, pretendia colocar em discussão a proibição da manifestação cultural.

Segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV), o funk movimenta R$ 10 milhões por mês na economia carioca e gera milhares de empregos. O valor inclui o arrecadado nas bilheterias dos bailes, os cachês das equipes, a venda de CDs e DVDs e os valores recebidos por MCs, DJs, equipes e até mesmo camelôs que trabalham em volta dos clubes. Mesmo assim, o preconceito contra o ritmo e a cultura que tem origem nas favelas ainda é grande. Nunca é demais lembrar que, no início do século XX, o mesmo se deu com o samba, proibido e considerado coisa de vadio para não mencionar outros adjetivos mais impróprios.

Por outro lado, tramita na Câmara dos Deputados do Estado um projeto de lei, de autoria do deputado Chico Alencar (PSOL/RJ), que define o funk como expressão da cultura popular brasileira, com o objetivo de diminuir a perseguição e o preconceito que ele enfrenta. Para Hermano Vianna, um dos primeiros a se debruçar sobre o fenômeno cultural, em sua dissertação de mestrado, ainda nos anos 1980, uma saída é a organização do pessoal dos bailes (donos de equipes, DJs, MCs, público e trabalhadores das festas em geral) para apresentar e negociar suas propostas.

O arquiteto e urbanista Manoel Ribeiro que, já no início da década de 90, levantou um debate pioneiro contra a discriminação do funk, envolvendo diferentes setores do estado, da academia e da sociedade civil no Rio de Janeiro, propõe, no artigo abaixo, uma agenda para a retomada dessa discussão. Segundo argumenta, é de interesse de todos que os bailes funk não permaneçam proibidos, pois é exatamente neste limbo que a marginalidade se ocupa dele. (Bruno Dorigatti)

Olha o funk aí de novo, gente!

Manoel Ribeiro

Já não tenho mais paciência para a ladainha de argumentos contra os bailes funk, que de tempos em tempos ocupa as páginas de nossos principais jornais.

De novo os mesmos argumentos: suas músicas fazem a apologia do crime; os bailes são promovidos por traficantes, se constituem em oportunidades para venda e consumo de drogas e produzem um barulho ensurdecedor que incomoda a vizinhança até altas horas.

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Postado em Uncategorized, em 3/08/2009 | Nenhum comentário, adicione o seu |
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