O que é cultura, afinal?
O que é cultura? Tempo vai, tempo vem, e a discussão sobre o conceito de cultura é sempre um debate atual. Cultura é o que tem qualidade? E quem define o que tem qualidade? A cultura de massa é ruim? Existe uma cultura boa e outra que possa ser considerada lixo?
Desta vez, o que trouxe o tema à tona foi o resgate de uma coluna publicada em 2007 na Folha de São Paulo. A coluna é da jornalista Barbara Gancia e se intitula “Cultura de Bacilos”, referindo-se aos artistas de periferia como bactérias. Ela foi objeto de grande repercussão no Twitter nos últimos dias. Afinal, existe uma cultura na periferia? Para a jornalista, não.
A antropóloga Ilana Strozenberg: “a cultura de periferia não é necessariamente boa. Bom é a diferença, a multiplicidade”.
O que, muitas vezes, os formadores de opinião ou aqueles que podem ser considerados cultos esquecem é que “cultura é a própria condição da comunicação”. A definição é da antropóloga e professora da UFRJ, Ilana Strozenberg. “Não existe cultura superior ou inferior. Tudo que permite às pessoas se comunicarem é uma cultura legítima”, afirma a professora. Essa pequena palavra usada comumente como adjetivo que designa a forma de expressão de maior valor, é, para a antropologia, toda manifestação do homem em sociedade. Para a professora, a noção do senso comum sobre o conceito empobrece o processo cultural. “É como se as formas culturais tivessem que estar numa redoma. O bom é a diferença, a multiplicidade. O interessante é que as culturas possam conversar entre si”, afirma.