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Projeto “Quer que eu conte?” - Uma história puxa a outra…

Por Pedro Eler

Existe uma história dentro de cada pessoa, uma história que esta pessoa nasceu pra contar. Agora a grande questão é como contar, ou se contar, para quem contar? E quem vai ouvir? O projeto “Quer que eu conte?”, uma parceria entre o Instituto NUPEF, O Instituto, o Programa Avançado de Cultura Contemporânea da UFRJ e os hospitais Pinnel e Nise da Silveira, nasceu para dar voz aos pacientes de ambos os hospitais, pessoas cujas histórias muitas vezes são esquecidas ou ignoradas.

A iniciativa pretende gerar um conjunto de histórias contadas através da utilização de recursos tecnológicos como áudio e vídeo digital, animações e vinhetas. O grande diferencial do projeto é o fato de as histórias serem roteirizadas, produzidas e publicadas por seus próprios protagonistas, com o apoio da metodologia “Digital Storytelling”, desenvolvida originalmente pelo Centre for Digital Storytelling da Universidade de Berkeley, na Califórnia, EUA. “Essa metodologia é relativamente nova e ainda pouco utilizada”, explica Simone Humel, psicóloga do Instituto NUPEF que atua como facilitadora na mediação com os pacientes.

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Postado em Uncategorized, em 15/06/2010 | Nenhum comentário, adicione o seu |

As Quebradas e a Academia: encontros culturais na Universidade

Por Pedro Eler

Toda quinta-feira, um grupo de artistas e produtores de cultura de diversas periferias da cidade do Rio de Janeiro se reúne no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ para discutirem, com professores renomados de diversas faculdades cariocas, temas como filosofia, história da arte, psicanálise, antropologia e literatura. Trata-se da Universidade das Quebradas, um curso de extensão do PACC - Programa Avançado de Cultura Contemporânea / UFRJ que tem como objetivo aproximar esses dois mundos e transformar a universidade num espaço de construção de conhecimento efetivo a partir da interação e da parceria da cultura produzida nas comunidades com o universo acadêmico.

Numa Ciro foi uma das idealizadoras do projeto, que, como ela explica na entrevista a seguir, nasceu de sua tese na Faculdade de Letras da UFRJ. A orientadora da tese foi Heloisa Buarque de Hollanda, e conforme o trabalho se desenvolveu, elas perceberam a vontade que muitos artistas de periferia tinham de estudar e conhecer o universo cultural acadêmico do qual eles são muitas vezes excluídos por diversas razões. Da percepção dessa necessidade nasceu o projeto Universidade das Quebradas, como Ciro explica nessa entrevista que ela concedeu ao blog d’o Instituto.

Pedro Eler: Primeiramente, qual a origem do projeto? Porque vocês (Heloisa Buarque de Hollanda e Numa Ciro) pensaram nessa necessidade de uma universidade voltada para artistas de periferia?

Numa Ciro: Heloisa orientou a tese que defendi na Faculdade de Letras, UFRJ, Nas Quebradas da Voz: o lugar e a mãe na crônica poética do rap. Durante o processo de desenvolvimento da pesquisa de campo requerida pela metodologia da tese, verificamos que os rappers que entrevistamos estavam ávidos para estudar e ler. E, principalmente, dentro da proposta desta metodologia, a tese não deveria servir de porta-voz dos artistas, mas se constituir como um espaço de troca, onde uma teoria só seria concretizada através da parceria entre nós, a orientadora, a orientanda, a bibliografia que adotamos e os artistas com os quais estávamos trabalhando, tanto os sujeitos em pessoa, como através dos seus textos: rap, reflexões, crônicas, a poesia e a literatura periféricas ou marginais.

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Postado em Uncategorized, em 5/06/2010 | Nenhum comentário, adicione o seu |

O que é cultura, afinal?

Por Marília Gonçalves e Rosilene Miliotti

O que é cultura? Tempo vai, tempo vem, e a discussão sobre o conceito de cultura é sempre um debate atual. Cultura é o que tem qualidade? E quem define o que tem qualidade? A cultura de massa é ruim? Existe uma cultura boa e outra que possa ser considerada lixo?

Desta vez, o que trouxe o tema à tona foi o resgate de uma coluna publicada em 2007 na Folha de São Paulo. A coluna é da jornalista Barbara Gancia e se intitula “Cultura de Bacilos”, referindo-se aos artistas de periferia como bactérias. Ela foi objeto de grande repercussão no Twitter nos últimos dias. Afinal, existe uma cultura na periferia? Para a jornalista, não.

A antropóloga Ilana Strozenberg: “a cultura de periferia não é necessariamente boa. Bom é a diferença, a multiplicidade”.

O que, muitas vezes, os formadores de opinião ou aqueles que podem ser considerados cultos esquecem é que “cultura é a própria condição da comunicação”. A definição é da antropóloga e professora da UFRJ, Ilana Strozenberg. “Não existe cultura superior ou inferior. Tudo que permite às pessoas se comunicarem é uma cultura legítima”, afirma a professora. Essa pequena palavra usada comumente como adjetivo que designa a forma de expressão de maior valor, é, para a antropologia, toda manifestação do homem em sociedade. Para a professora, a noção do senso comum sobre o conceito empobrece o processo cultural. “É como se as formas culturais tivessem que estar numa redoma. O bom é a diferença, a multiplicidade. O interessante é que as culturas possam conversar entre si”, afirma.

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Postado em Uncategorized, em 8/05/2010 | Nenhum comentário, adicione o seu |

Softwares são ideologia da sociedade contemporânea

por Pedro Eler

“Os softwares estão cada vez mais em todas as partes, presentes nos mais diferentes espaços e mecanismos da vida social”, alertou o pesquisador Cícero Silva na última reunião do Pós-Doutorado do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC) do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, na quinta-feira, 15 de abril, onde apresentou a pesquisa que realiza na Universidade da Califórnia, no contexto dos Estudos Culturais Contemporâneos do Software, ou, simplesmente, software studies.

Um bom exemplo dessa crescente presença é a invasão dos softwares nos aparelhos celulares - que cada vez contam com mais programas que possibilitam uma variedade enorme de interações - o que atua na transformação das formas de sociabilidade tradicionais. O Facebook, assim como o Orkut e o Twitter, são outros bons exemplos. Embora atuem de formas diferentes, todos alteram a maneira como as pessoas se sociabilizam, interagem e, ultimamente, constroem relações afetivas, podendo, inclusive, gerar novas terminologias e/ou mudar o sentido de palavras. “Notem, por exemplo, como esses programas utilizam-se da palavra amigo”, disse Cícero Silva, “você adiciona alguém como amigo sem que isso seja necessariamente verdadeiro. O que está acontecendo é uma ressignificação desse termo”.

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Postado em Uncategorized, em 20/04/2010 | Nenhum comentário, adicione o seu |

Com seu Guia Afetivo da Periferia, Marcus Vinicius Faustini lança projeto de memória coletiva da cidade

Por Laila Melchior

No currículo o cargo de secretário de cultura do município de Nova Iguaçu, a direção de documentários, montagens de peças e textos de teatro. Marcus Vinicius Faustini lança agora seu primeiro livro, o “Guia Afetivo da Periferia”. O guia faz parte da coleção Tramas Urbanas em parceria com O Instituto.

Em entrevista ao blog, Marcus conta um pouco sobre a nova obra:

LM: O livro não olha para a periferia munido do discurso da carência. Pelo contrário, propõe uma relação, como o título já informa, afetiva. Você considera esse olhar uma novidade?

MVF: Talvez, para quem olha de fora para dentro seja uma novidade reconhecer a expressão da experiência das vivências nos territórios populares como afetiva e estética. Entretanto, isso já acontece em outras linguagens como o samba, o funk, etc. A novidade é isso dentro da produção literária. O acesso a produção e a fruição com a literatura são decisivos para a radicalização da democracia no país. Só podemos reconhecer a experiência do outro através da expressão de suas subjetividades. Difundida, a literatura será uma linguagem que contribuirá muito na percepção do outro.

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Postado em Uncategorized, em 28/12/2009 | Nenhum comentário, adicione o seu |
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