Projeto “Quer que eu conte?” – Uma história puxa a outra…

Existe uma história dentro de cada pessoa, uma história que esta pessoa nasceu pra contar. A questão é como contar, ou se contar, para quem contar? E quem vai ouvir? O projeto “Quer que eu conte?” responde a essas perguntas.

Uma parceria entre o Instituto NUPEF, O Instituto, o Programa Avançado de Cultura Contemporânea da UFRJ e os hospitais Pinnel e Nise da Silveira, o “Quer que eu conte?” nasceu para dar voz aos pacientes de ambos os hospitais, pessoas cujas histórias muitas vezes são esquecidas ou ignoradas.

A iniciativa pretende gerar um conjunto de histórias contadas através da utilização de recursos tecnológicos como áudio e vídeo digital, animações e vinhetas. O grande diferencial do projeto é o fato de as histórias serem roteirizadas, produzidas e publicadas por seus próprios protagonistas, com o apoio da metodologia “Digital Storytelling”, desenvolvida originalmente pelo Centre for Digital Storytelling da Universidade de Berkeley, na Califórnia, EUA. “Essa metodologia é relativamente nova e ainda pouco utilizada”, explica Simone Humel, psicóloga do Instituto NUPEF que atua como facilitadora na mediação com os pacientes.

“Nos últimos anos, numerosos praticantes em diversos países do mundo expandiram e adaptaram a filosofia e o método da formação original, explorando novas e provocadoras áreas de aplicação, desde a utilização em comunicação móvel, à integração de dinâmicas de ‘digital storytelling’ em currículos escolares, campanhas de prevenção nas áreas de saúde e segurança e mesmo em processos de promoção de políticas públicas”, diz Simone.

No Brasil, a prática do “Digital Storytelling” e sua aplicação como metodologia de desenvolvimento de conteúdos multimídia ainda é incipiente. O projeto ‘Quer que eu conte?’ é uma das primeiras experiências de aplicação do formato junto a um público em situação de exclusão social, como é o caso dos pacientes do Pinnel e do Nise da Silveira.

“Nosso primeiro contato com a metodologia do ‘Digital Storytelling’ foi quando trabalhamos em parceria com o Programa de Apoio a Redes de Mulheres da APC (APC/WNSP)”, diz Simone. Trata-se de uma rede mundial de mulheres que vem utilizando o ‘Digital Storytelling’ há alguns anos na África, onde é oferecido um programa de formação para mulheres. “Participando dos encontros de formação da APC/WNSP nós entramos em contato com o formato do ‘digital storytelling’, que lá era utilizado como ferramenta de apoio para mulheres lésbicas sul-africanas, vítimas de violência por conta do enorme preconceito que existe naquele país contra mulheres com esta opção sexual”, diz Simone.

Traduzindo este formato para os hospitais Pinnel e Nise da Silveira, a equipe pretende ajudar os pacientes que participam das oficinas a analisar e sintetizar suas histórias pessoais. “Desta forma eles podem desenvolver capacidades de comunicação e serem estimulados a formular perguntas, expressar opiniões, construir narrativas, escrever e roteirizar suas histórias”, explica Simone. Outro objetivo é que a prática do “digital storytelling” seja incorporada ao dia a dia dos hospitais.

Para que o projeto tenha continuidade, são formados multiplicadores entre os profissionais do Pinnel e do Nise da Silveira. Dessa forma, as atividades poderão continuar sem a presença da equipe promotora do projeto. “A visibilidade que podem ganhar na Internet histórias interessantes, elucidativas, emocionantes é um fator que pode despertar o interesse de novos parceiros apoiadores para esta iniciativa”, afirmar Simone.

O potencial de replicabilidade do projeto é outra característica marcante. Todas as ferramentas tecnológicas de apoio utilizadas são muito acessíveis, e baseadas em software livre. “Qualquer telecentro, centro de inclusão digital, laboratório de informática de escola, lan house, pode ser um espaço de formação em ‘Digital Storytelling’ e de produção de conteúdos propostos”, afirma Simone. “A metodologia é simples. O fator essencial para o sucesso da iniciativa é a capacidade de mobilização e sensibilização dos facilitadores”.

Nas oficinas do projeto “Quer que eu conte?” é utilizada uma metodologia que auxilia os facilitadores durante todo o processo de criação, desde a dinâmica provocadora para a escolha da história, a busca por imagens que irão compor as narrativas, a sonorização até a edição final do processo. “Essa metodologia é composta por sete passos e se complementa com um material de apoio, composto de três cartilhas, que orientam a utilização das ferramentas multimídias”, explica Simone.

Os pacientes são selecionados e encaminhados para o projeto por profissionais dos hospitais.A coordenação do projeto é de Graciela Selaimen, que é jornalista, e as oficinas são desenvolvidas por Simone Humel e Viviane Gomes, todas do Instituto NUPEF. Para saber mais sobre projeto, que é financiado pelo Oi Futuro, acesse http://historiasnupef.wordpress.com.