Novo formato de Rio de Encontros agrada convidados

Debate com provocadores protagonistas cede espaço para roda de conversa em que todos têm o direito de falar

Uma novidade do Rio de Encontros em 2017 vem recebendo elogios de todos os que têm participado da série de diálogos. Trata-se do novo formato, em que o debate com os convidados – no evento, sempre denominados “provocadores” – cede espaço para uma roda de conversa, em que a palavra circula entre todos os participantes.

“Esse modelo tira um pouco essa ideia de que existe uma diferença entre palestrante e espectador e coloca todo mundo em pé de igualdade”, afirmou sobre a novidade Charles Siqueira, convidado do encontro de julho. Outra característica apreciada do modelo atual é a informalidade. “Eu me senti parte de uma roda, muito mais que de uma mesa, o que deixa as coisas mais à vontade”, resumiu Guilherme Pimentel, provocador no evento sobre violência.

Até 2016, os provocadores convidados faziam uma fala inicial com tempo de 15 a 20 minutos e só então o debate era aberto para que a plateia fizesse perguntas e tecesse seus comentários. Apesar de, a partir desse momento, se estabelecer uma dinâmica intensa de diálogo, esse formato ainda não atendia plenamente aos objetivos do projeto, na medida em que situava a audiênca em segundo plano e, muitas vezes, deixava pouco tempo para a participação da turma e demais pessoas.

Assim, em 2017, a equipe organizadora do Rio de Encontros decidiu mudar a organização dos eventos. Ao invés do modelo de apresentação seguido de debate, os encontros passaram a seguir uma dinâmica de “talk show”, em que um mediador faz perguntas aos convidados. Após cada rodada de comentários dos “provocadores, o mediador convida a plateia a comentar o tema discutido. Os temas de cada debate são discutidos previamente nas redes sociais pelos membros da turma, que são estimulados a produzir e postar textos e vídeos com suas reflexões. Os alunos que postaram suas reflexões são convidados a expô-las oralmente. “A própria turma molda a experiência”, explica Ilana Strozenberg, diretora acadêmica d’O Instituto.

Além disso, a realização do Rio de Encontros 2017 numa sala da Escola do Olhar do Museu de Arte do Rio – MAR –, que, ao contrário do formato auditório, permite a livre organização do espaço, favoreceu a nova dinâmica dos encontros. Agora a ideia de roda de conversa tem uma expressão concreta: as pessoas se sentam em círculo e não mais em fileiras de frente para um “palco”. “Mudar a disposição espacial afeta o sentido do encontro”, acrescenta Ilana.

Trajetória

Criado em 2010, o Rio de Encontros reúne pessoas, profissionais e instituições de variados espaços igualmente empenhados em buscar alternativas para o futuro da cidade. Os primeiros eventos da série aconteceram na Casa do Saber. Neles, provocadores de origens diversas encontravam um grupo de discussão para debater ideias. O patrocínio da ESPM a partir de 2014 deu à iniciativa um caráter formativo mais evidente, assim como fortaleceu a criação de uma rede de contatos entre os participantes. A passagem pela sede da ESPM em 2015 permitiu a produção de conteúdo em parceria com a instituição, como o curta #Um dia de Alice. “A logo atual é fruto de um concurso realizado com os alunos de design da universidade”, lembra Ilana.

A ida para o MAR e o novo formato adotado em 2017 são os capítulos mais recentes dessa história. “O Rio de Encontros se tornou um laboratório de trocas sobre a cidade, buscando sempre a escuta ampla e diversa, além saídas para a crise na vida na metrópole”, sintetiza Teresa Guilhon, gerente de projetos na área de cultura, tecnologia e educação d’O Instituto