Parceria pelo fortalecimento das redes

Duas instituições unidas por um propósito comum. Parceiros de longa data, O Instituto, cuja equipe atua para fomentar o debate global sobre as culturas urbanas contemporâneas a partir de uma perspectiva multidisciplinar, e a Universidade das Quebradas, laboratório de tecnologias sociais que promove a conexão entre quem produz cultura nas comunidades periféricas do Rio e a produção intelectual acadêmica, vão afinar ainda mais o trabalho conjunto em 2017. A articulação de projetos e novas ações já está valendo. E que se espere uma ‘pororoca’​de em perspectivas e possibilidades.

Como uma espécie de teste para o que virá, a primeira interseção ocorreu no Rio de Encontros, desenvolvido e realizado pelo O Instituto. Nos últimos dois anos, os ‘quebradeiros’ tiveram lugar garantido na turma fixa do projeto. Além de participar da série de debates, eles também produziram e editaram o vídeo de encerramento do ciclo de 2016, “Um olhar sobre as Quebradas”.

“Quando não se tem dinheiro ou o orçamento é baixo, mas sobra vontade e determinação, realizar é possível. Com um pouco de criatividade, persistência, cooperação e algumas gambiarras, em momentos difíceis, seguir é possível. É nesse espírito que muitos empreendedores sociais, artistas, produtores culturais, atuam no seu universo territorial para conseguirem produzir os seus projetos. O vídeo reflete exatamente isso!”, afirma Marcelo Ostachevski, que atua na coordenação pedagógica da Universidade das Quebradas, e fez parte da equipe.

“Desenvolvemos com a turma uma oficina de seis encontros, paralela ao ciclo de debates, que levou para o plano da ação o desejo​ de ​trabalhar com o potencial de empreendedorismo social da turma de ‘quebradeiros’, principalmente aquele voltado para a democratização dos meios de comunicação na cidade”, afirma Teresa Guilhon, coordenadora geral d’O Instituto. O objetivo era fazer um filme colaborativo e com baixo orçamento, basicamente usando o celular, exemplo de projeto que só é possível graças à da articulação de redes e conexões.

Segundo Ilana Strozenberg, coordenadora acadêmica d´O Instituto em vez de dividir, é hora de somar forças para conseguir projetos mais fortes e mais consolidados, já que os públicos e os objetivos são afins:

“É uma parceria quase natural. Trabalhamos com temas afins, essencialmente​ lideranças ou moradores da periferia da cidade que desenvolvem trabalhos ou participam de projetos na área da comunicação, da cultura e das artes. A partir de 2015, com a cota de vagas no Rio de Encontros instituída para os jovens das Quebradas, percebemos que há uma sintonia muito grande, na medida em que eles trabalham formação de jovens para pensar o universo em que eles atuam, e nós temos uma formação para que eles atuem com mais informações e horizontes mais abertos no conceito da cidade”, explica Strozenberg.

A ideia é usar toda a habilidade e conhecimento para formar redes. Na prática, o Instituto fará uma curadoria mais ampliada. “Juntamos a Universidade e as redes desses dois universos. Nós estamos buscando projetos e concorrendo em editais com ações que já juntam as duas instituições. As iniciativas continuam separadas, mas com apoio mútuo. Nós vamos colaborar desde o pensamento e elaboração dos projetos”, completa a antropóloga.

Heloisa Buarque de Holanda, coordenadora geral da Universidade das Quebradas, faz questão de lembrar que as instituições são parceiras desde a sua gênese e alimenta a boa expectativa sobre o que virá: “As Quebradas têm potencial de desdobramento infinito, toda hora alguém quer uma parceria, e os ‘quebradeiros’ querem evoluir. Nunca dei conta porque trabalho só com recursos da Universidade. A fusão gera uma pororoca em perspectivas e possibilidades”, resume.